Quando Foi a Última Vez Que Parou?
Recebo com frequência esta pergunta: "Porque é que o Curso de Chi Kung Terapêutico é em retiros presenciais e não online?"
A resposta é simples: porque as estações precisam de ser vividas, não assistidas. E porque essa jornada não se faz sozinho.
Mas deixe-me explicar melhor.
O Que a Primavera Sabe (E o Verão Esquece)
Vivemos como se o ano fosse uma linha recta. Janeiro a Dezembro. Metas no início, balanço no fim.
Mas a natureza não funciona assim. E o nosso corpo também não.
A Primavera não tenta fazer o trabalho do Outono. A energia da Primavera é para criar, brotar, expandir. É quando as sementes ganham coragem de romper a terra.
Se tentar fazer brotar algo no Inverno, vai falhar. Não por falta de esforço. Mas porque está a tentar expandir quando a natureza pede recolhimento.
O Verão é para crescer e amadurecer. O Outono para consolidar e planear. O Inverno para regenerar nas profundezas.
Cada estação tem o seu trabalho. E quando respeitamos isso, a prática não exige força de vontade. Flui.
O Que Acontece Quando Paramos
Claro que posso ensinar Chi Kung por vídeo. E faço-o. A prática diária em casa é fundamental.
Mas não é a mesma coisa quando desejamos ir mais fundo.
Um retiro não é apenas um dia de aulas mais longo. É um espaço onde paramos.
Paramos de responder a emails. Paramos de fazer listas de tarefas. Paramos de estar disponíveis para toda a gente.
E quando paramos, algo interessante acontece: começamos a ouvir o que o corpo está a tentar dizer há meses.
Aquela tensão no ombro. Aquele cansaço que não passa. Aquela respiração curta que se tornou normal.
Num vídeo em casa, pratica-se durante 20 minutos e depois volta-se para a vida. O telefone toca. Alguém precisa de nós. A mente já está noutra coisa.
Num retiro, há tempo. E o tempo muda tudo.
Aquilo Que Os Vídeos Não Podem Dar
Mas há algo mais importante que o tempo.
Há a presença de outras pessoas.
Conhece a história de Roseto?
Roseto é uma pequena cidade na Pensilvânia, Estados Unidos. Nos anos 60, os médicos repararam numa coisa estranha: as pessoas de Roseto tinham metade das doenças cardíacas comparadas com as cidades vizinhas.
Foram estudar porquê.
Não era a dieta — comiam como as aldeias vizinhas. Não era a genética — quem saía de Roseto ficava doente. Não era o exercício — não faziam mais exercício que as outras pessoas.
Era a comunidade.
As pessoas de Roseto viviam em comunidade. Jantavam com frequência juntas. Sentavam-se à porta de casa a conversar. Três gerações na mesma casa. Toda a gente se conhecia.
E isso protegia-as de doenças.
A ciência chamou-lhe "Efeito Roseto". Eu chamo-lhe: a energia de estar com outros seres humanos é um dos catalisadores mais fortes para a nossa evolução.
O Que Acontece Quando Vinte Pessoas Praticam Juntas
Há algo que acontece quando vinte pessoas se reúnem num retiro que não acontece quando estão sozinhas em casa.
Vê-se alguém da mesma idade a fazer o exercício que se pensava não conseguir. Ouve-se alguém contar que também começou e parou três vezes. E percebe-se que não estamos sozinhos nisto.
A prática deixa de ser uma batalha solitária contra a própria resistência.
Durante o almoço, alguém partilha como adaptou a prática à rotina da manhã com os filhos. Outra pessoa conta como voltou depois de três meses parada. E de repente há estratégias reais, de pessoas reais, que funcionaram e que podem tornar-se também nossas.
Não são dicas de um vídeo motivacional. São soluções testadas por alguém que vive uma vida parecida com a nossa.
E isso muda tudo.
O Que Os Retiros Acrescentam
A prática diária em casa — de manhã ou à noite — é a base de tudo. E traz benefícios reais.
Mas há dois aspectos que os retiros presenciais acrescentam, e que a prática solitária não consegue dar:
Primeiro: A energia das estações. A sala onde pratica não muda de estação. O espaço não lhe diz "agora é tempo de recolher" ou "agora é tempo de expandir". Num retiro, sente-se isso na pele, sente-se isso na natureza que nos envolve.
Segundo: A energia da comunidade. Sozinhos, a mente tem mais força sobre nós. "Hoje não". "Amanhã começo". Não é falta de vontade — é simplesmente mais difícil sem companhia. Mas quando se está rodeado de pessoas que também estão a tentar, algo muda. A resistência continua lá. Mas já não é só nossa. É partilhada. E quando é partilhada, pesa menos.
Como Isto Se Conecta
Por isso é que o Nível 1 — Regeneração é um ano. Não oito semanas.
Pela importância de passar por todas as estações. Sentir na pele como é praticar na Primavera quando tudo quer brotar. E como é diferente praticar no Inverno quando o corpo pede recolhimento.
E por isso são oito retiros presenciais ao longo desse ano. Não vídeos.
Porque só assim se compreende o valor da pausa. De estar com outras pessoas. De respirar ao mesmo tempo. De sentir que há outras vinte pessoas ali a fazer o mesmo caminho.
Não é magia. É o que acontece quando se cria espaço e tempo para a prática acontecer. E quando não se está sozinho a fazê-la.
O Convite
Mas por agora, deixo esta pergunta:
Quando foi a última vez que parou? Não apenas uma tarde. Mas um dia inteiro onde a única coisa que tinha de fazer era cuidar de si?
Se não se lembra, talvez valha a pena experimentar.
Boas práticas,
Lourenço de Azevedo
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